sexta-feira, 23 de março de 2012

Vanda coerulea

Este blogue é uma constante fonte de informações e conselhos, em permanente crescimento, com novas espécies de exóticas frequentemente introduzidas e apresentadas todos os meses. Não deixe de visitar e descobrir as novidades com regularidade!


Vanda coerulea Griff. ex Lindl., Edwards's Bot. Reg. 33: t. 30 (1847).


Nunca as orquidáceas foram as minhas favoritas no mundo da botânica exótica. Nunca prestei muita atenção na descoberta do seu cultivo e como algumas espécies de alguns géneros de orquídeas poderão ser verdadeiras surpresas para o jardim ao ar livre. Confesso ter menosprezado este grupo tão fascinante quanto exuberante de plantas delicadas, por preconceito e desconhecimento.
Começo por contar como me inspirei para me iniciar na cultura de orquídeas. Numa visita a um centro de jardinagem, reparei num grupo de Vanda coerulea que já tinham florido e estavam então a metade do seu custo, habitualmente bastante elevado. Consciente do risco, decidi avançar com o processo de aclimatização desta espécie ao exterior, sobretudo porque iria adquiri-las em pleno Inverno de 2011. Ainda não tinha passado o período mais frio da estação, facto que aumenta a probabilidade de insucesso na sua adaptação e regra que jamais deverá ser desrespeitada. Contudo aproveitei a vantagem de no viveiro, onde as encontrei, estarem votadas a um certo esquecimento e lançadas num local somente protegido por uma cobertura de plástico mas exposto às temperaturas já acentuadamente baixas do exterior. Esta negligência com os 3 exemplares, que acabei por trazer para casa, foi uma forte sugestão de que se tratavam de plantas saudáveis e com elevada preparação para o risco na mudança de local de cultivo, em pleno Inverno.
A partir daquele momento, lancei-me no mundo vicioso das orquidáceas. Capaz de sobreviver naquelas condições, foi determinante para me sentir confiante na aposta que tinha feito. A prova foi confirmada quando pouco tempo depois, em pleno mês de Fevereiro, um dos exemplares desenvolveu uma haste floral. Nem os dias pouco habituais de frio intenso que se fizeram sentir naquele mês de 2012, incomodaram qualquer uma das plantas. Estou plenamente satisfeito com a minha decisão e de seguida partilho o que aprendi nos conselhos de cultivo adaptados ao clima de Lisboa.

A Vanda coerulea foi primeiramente classificada por John Lindley em 1847, a partir de uma descrição de uma orquídea azul encontrada nas montanhas de Khasia, no estado de Assam, por William Griffiths. Esta espécie vigorosa de flores viçosas, duradouras e de grande dimensão com um intenso tom azulado, cativou os horticultores e criadores de orquídeas, os quais trabalharam na genética da espécie originando inúmeros híbridos.
O nome provém do sânscrito Vandaar e compreende cerca de 50 espécies em que o desentendimento dos taxonomistas resulta numa enorme confusão para os menos familiarizados com este grupo. O epíteto específico coerulea, reporta-se ao azul intenso ou azul celestial.
Não será, portanto, fácil o consenso na identificação dos exemplares que encontrará, facto que poderá dificultar enormemente a correcta aquisição da planta para usá-la no jardim exterior. Saliento o maior cuidado neste momento para que não haja maus resultados quando cultivar uma orquídea ao ar livre.



Um híbrido desenvolvido a partir da Vanda coerulea, identificada somente como Vanda coerulea erradamente. (Foto não do autor)

Do género Vanda foram separadas algumas espécies e reagrupadas num género distinto como o caso da Vanda sanderiana, agora redesignada Euanthe sanderiana. Outro género que reagrupou espécies anteriormente inseridas no género Vanda é Holcoglossum, enquanto que o género Trudelia deixou de ser aceite como separado e as suas espécies foram reintegradas no género Vanda. [1] Papilionanthe, é um quarto grupo de espécies que anteriormente pertencente ao género Vanda, é muito conhecido entre os horticultores como Vandas de folhas terete. [2] As listas de taxonomia de Kew Royal Botanic Gardens, não aceita como válido este género, embora muitos outros classificadores insistam na sua validade e a designação seja largamente difundida no mundo dos orquidófilos. Vanda surge desta forma, como um género não muito extenso de espécies, porém muito importante, senão o mais importante dos 5 grupos de orquídeas do ponto de vista floral com enorme presença no mercado de flores de corte.

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1. Classificação actualizada segundo os registos de Kew Royal Botanic Gardens pela consulta do World checklist of selected plant families.
2. Terete refere-se a uma forma ou estrutura cilíndrica, seja para folhas ou caules. A Papilionanthe teres, segundo alguns taxonomistas como designação aceite e género separado da Vanda teres, tem folhas completamente cilíndricas, ou tem forma cilíndrica, redonda ou são teretiformes.


A característica mais popular do género Vanda é, indiscutivelmente, a singularidade de se desenvolver sem qualquer tipo de composto, dispostas dentro de um pequeno cesto suspenso, por onde o seu enorme sistema radicular cresce exposto ao ar.

O azul das flores desta espécie é a característica mais apreciada uma vez que somente a Vanda coerulescens, V. tessellata e a V. testacea, exibem pigmentos de idêntica tonalidade, entre todas as orquidáceas. A grande profusão de flores, a durabilidade das mesmas e a tolerância ao frio, por ter proveniência em regiões de maior altitude relativamente às demais espécies deste género, fazem desta ainda uma espécie muito procurada quer pelos apreciadores de plantas exóticas, quer pelos horticultores que se dedicam à hibridação de orquídeas. O padrão geométrico ou o enxadrezado geometrizado das pétalas são muito próprias desta espécie e, no passado, atraíram os caçadores de plantas que a exploraram e retiraram da natureza quase até à sua extinção, de modo a saciar a demanda dos horticultores de todo o mundo. Incluída no CITES apêndice I [1] nos anos 70, o seu rápido desaparecimento no meio natural deveu-se simultaneamente ao incremento da produção de carvão vegetal a partir dos carvalhos onde esta espécie de orquídea epífita [2] cresce. Hoje em dia, a proibição de importar qualquer Vanda para o mundo ocidental, permitiu salvaguardar os últimos exemplares residentes nas altas montanhas de Khasia, no estado de Assam, na Índia e relatos confirmam-na relativamente comum na região himalaica, abrangendo uma área mais vasta do que se pensava. Este anúncio permitiu recentemente retirá-la do Apêndice I, apesar de continuar a ser alvo de colheitas ilegais no seu habitat natural mantendo-se no Apêndice II. Por outro lado, esta medida promoveu o desenvolvimento de híbridos em viveiros de todo o mundo, alguns muito célebres e admirados pelas frondosas hastes florais e cores azuladas muito intensas. Entre os híbridos mais afamados, destaca-se a Vanda ‘Rothschildiana’.
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1. Convention on International Trade in Endangered Species.
2. Epífitas são todas as plantas que entrelaçam as suas raízes noutras plantas ou num outro suporte, como muros ou pedras para se fixarem. Crescem acima do solo e não praticam parasitismo quando utilizam outras plantas como hospedeiro.

Apesar de a Vanda coerulea ter o nome vernáculo de orquídea azul, ocorrem na natureza as formas rosa e branca, em que se destaca esta última cor pelo seu grau de pureza.
O género, tal como o género com um parentesco distante Phalaenopsis, têm um desenvolvimento vertical e emprestou o seu nome a outros géneros de orquídeas, para designar as espécies que também apresentam um crescimento monopodial. Por essa razão, são apelidadas de vandáceas. [1]


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1. Crescimento monopodial é um termo da botânica que se refere à maneira de brotamento das plantas que crescem verticalmente, com ramificação lateral em que o eixo principal mantém-se rectilíneo e uniforme. O crescimento ocorre por uma única gema apical, que persiste por toda a vida da planta. É o caso da Carica papaya e das palmeiras (Arecaceae). O sistema monopodial pode também ser encontrado em plantas com muitos ramos laterais, como os pinheiros, onde o eixo principal é facilmente reconhecido, por ser o único a crescer verticalmente (os ramos laterais têm crescimento lento e oblíquo).


A Vanda coerulea tem como regiões nativas, uma extensa área desde o nordeste da Índia, em que estão incluídos os estados de Arunachal Pradesh e Assam, Meghalaya e Nagaland, mais a leste a Birmânia [1], Tailândia e a região sul da China, na província de Yunnan. Segundo informação disponibilizada por Kew Royal Botanic Gardens, a espécie também se encontra no Nepal e pontualmente ocorre no Butão, Laos [2] e Vietname.
O clima do estado indiano de Arunachal Pradesh apresenta grandes contrastes uma vez que está condicionado pela altitude da cordilheira dos Himalaias ainda que se situe numa latitude bastante confortável, em torno dos 27ºN. As regiões de altitude muito elevada nos designados Grandes Himalaias, registam um clima idêntico à tundra da Escandinávia, Sibéria, Alasca, Canadá e Gronelândia. Os Pequenos Himalaias beneficiam de um clima temperado, enquanto mais abaixo, na altitude dos Sub-Himalaias até ao nível do mar, verifica-se um clima subtropical húmido, mais aproximado ao clima mediterrânico, com Verões quentes e Invernos amenos. É nesta zona que a Vanda Coerulea se desenvolve, sujeita a quedas pontuais de temperatura.

Entre Maio e Setembro, o estado recebe um alto índice pluviométrico, entre os 2000 e os 4000 mm anuais, daí que a paisagem montanhosa na fronteira entre os Pequenos Himalaias e os Sub-Himalaias seja coberta de florestas densas de carvalhos, entre outras árvores de folha caduca, e muito húmidas assemelhando-se à serra de Sintra. As árvores estão cobertas de fetos e musgos e é neste ambiente que esta espécie de orquídea cresce. Importa referir e investigar a paisagem natural deste estado indiano em desfavor da restante área por onde a Vanda coerulea se encontra, na medida em que é nesta região que a espécie sobrevive a condições climatéricas mais adversas, mais frias e mais aproximadas ao clima de certas regiões de Portugal continental. Quanto mais a oriente, mais as florestas beneficiam de climas tropicais como sucede na Birmânia e Tailândia.


Apesar de se confirmar a sua extrema raridade devido à destruição do seu habitat natural, [3] no seu estado selvagem, a Vanda coerulea tem um comportamento epífito e cresce sobre os ramos expostos de árvores de folha caduca, sobretudo carvalhos, em regiões montanhosas entre os 900 a 1500 m de altitude. É de salientar a particularidade desta planta suportar relativamente bem a descida de temperatura até valores significativamente baixos, como ocorre nas florestas dos Pequenos Himalaias no estado do Arunachal Pradesh, na Índia até ao Nepal e Butão. Porém, não obstante as noites chegarem a valores próximos dos 0ºc, o dia aquece bastante com uma assinalável amplitude térmica, muito vantajosa para a sobrevivência da planta. Torna-se importante, então, encontrar um local onde se consiga criar um microclima que proteja a orquídea dos dias mais frios do Inverno português. Um recanto posicionado a nascente e a sul, de modo a aquecer eficazmente o ambiente, ajuda a ultrapassar os dias de maior ameaça de frio.

Para quem tem intenção de fazer turismo temático e observar orquídeas na sua paisagem natural, as florestas do distrito de Tirap (Tirap District, como designação na sua versão original), no estado de Arunachal Pradesh, é conhecido por reunir cerca de 500 espécies de orquídeas, entre as quais a rara Vanda coerulea e a extraordinária orquídea terrestre Arundina graminifolia, a qual cresce nas áreas ensolaradas e abertas de Tipi, também no referido estado indiano, igualmente perfeita para integrar o elenco de exóticas cultivadas no jardins da região de Lisboa e litoral algarvio.
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1. Actualmente a Birmânia (ou Burma em inglês) é conhecida pelo nome de Myanmar.
2. Laos é a designação actual do território independente que correspondia à Indochina francesa.
3. Encontra-se actualmente protegida e incluída nas listagens do CITES apêndice I, um passo importante para a salvaguarda desta espécie.

Quando é tomada a decisão de comprar uma orquídea azul, dificilmente saberemos com exactidão qual espécie estaremos a adquirir, senão observarmos em detalhe as características que nos permitam distinguir entre os híbridos de Vanda e entre a Vanda coerulea e a Vanda coerulescens. Este ponto é útil para certificar a escolha certa quando o intuito é o seu cultivo no exterior. A maioria dos cultivares existentes no mercado são cruzamentos em que a Vanda coerulea está presente, o que garante, em certa medida, uma boa tolerância às baixas temperaturas. No entanto, convém avaliar e conhecer a descrição dos híbridos tema que será tratado mais adiante.
Num primeiro relance, a distinção entre a Vanda coerulea e a Vanda coeruescens, resume-se quase unicamente à dimensão das flores, pois ambas apresentam cores idênticas. A primeira espécie tem flores com cerca de 13 cms, com hastes ocasionalmente ramificadas e um número superior de flores que as demais espécies do género Vanda, entre 20 a 30 em múltiplas hastes, enquanto que a segunda são bastante mais pequenas.
A hibridação entre V. coerulea, com as suas enormes flores e a Vanda sanderiana (sinónimo de Euanthe sanderiana) das Filipinas, formam a base dos modernos cultivares de Vanda, desenvolvidos em muitos países do sudoeste asiático e na Florida.

Existem 3 grupos distintos de Vanda, os quais são facilmente identificados pela forma das suas folhas;
Vanda de folhas lisas com crescimento alternado e simétrico, lembrando um harmónio. A haste floral tem as flores dispostas alternadamente, surgindo das axilas das folhas mais recentes. A Vanda coerulea, pertence a este grupo.
Vanda de folhas terete ou teretiformes, completamente cilíndricas, pontiagudas nas pontas com a forma e a grossura de um lápis nos indivíduos maduros.
Vanda de folhas semi-terete ou semi-teretiformes, um híbrido entre orquídeas do primeiro grupo e do segundo, em que as folhas apresentam formas intermédias de ambos mas menos pronunciadas que os seus parentes. De um modo geral têm folhas mais largas e planas em forma de tira.



Sinónimos
Vanda coerulea f. rogersii (Rolfe) Christenson, Orchid Rev. 117: 222 (2009).



Os conselhos de seguida partilhados reportam-se ao cultivo de plantas adultas, que já estão em fase de floração ou próximo desta.
De um modo geral, as Vanda e as vandáceas são orquídeas muito exigentes quanto a alimento. De facto, quanto mais atenção receber em alimento e humidade, mais recompensarão com abundantes florações que poderão chegar de 3 a 5 anualmente, durante cerca de um mês. Se forem negligenciadas, as folhas mais velhas tenderão a cair e a planta perde brilho e robustez entrando em declínio, fase que muito dificilmente sairá. Qualquer flutuação na manutenção dos cuidados diários que exige a planta responde.

Um detalhe importante é efectuar a aplicação de adubo sempre nas primeiras horas da manhã ou ao anoitecer. A adubação é, como já referido, um cuidado preponderante na manutenção de uma planta saudável e não tanto pelo seu crescimento espantoso e veloz que acontece quando cultivada no interior de uma estufa. Nesta situação, os exemplares chegam a ser massivos, caso que não acontecerá no exterior.
Utilize um adubo 12-12-12, isto quer dizer que contém doses idênticas de nitrogénio, fósforo e potássio (NPK) todas as semanas. Dilua a dosagem aconselhada na embalagem (que se refere às plantas em geral) pelo dobro da água, já que as orquídeas apreciam adubação de fraca intensidade. Há quem defenda que as espécies mais resistentes ao frio como é a situação da Vanda coerulea, não necessitam de aplicações tão frequentes de fertilizante. Eu recorro a esse processo com muito menos regularidade e não tenho tido maus resultados. Outra fórmula é 15-30-20 a fim de reforçar o crescimento do caule da planta para incentivar uma nova floração. Durante o período de repouso da planta, quando a temperatura começa a baixar progressivamente e as horas de sol reduzem, alargue o intervalo para 15 dias na regularidade dessa aplicação de modo a que o velame se mantenha activo. [1] O adubo indicado é foliar e é aplicado por meio de pulverização. Evite o contacto do fertilizante com as flores e a haste floral uma vez que os sais que entram na composição do adubo sob o efeito do sol poderão provocar pequenas queimaduras nas pétalas e nos botões, diminuindo muito a beleza da planta. Um bom complexo nutricional que complete as necessidades da planta torna os exemplares mais resistentes para enfrentar factores agressivos e condicionantes ao seu desenvolvimento em situações menos adequadas, como frio ou calor em excesso, transplante, chuva intensa e relocalização.
O adubo foliar deve ser aplicado quando o dia nasce ou depois do pôr-do-sol, períodos nos quais os estomas ou estômatos estão abertos e prontos a receber os nutrientes. Estes encontram-se em maior número na parte debaixo das folhas, ou na página inferior das folhas, e por esta razão a pulverização deve incidir nesta zona da planta. Durante as horas mais intensas de sol estas estruturas estão fechadas e não recolhem qualquer alimento. Existem fortificantes especialmente indicados para orquídeas disponíveis no mercado, os quais estão preparados para suprir as necessidades de qualquer espécie desta grande família. Procure-os numa casa da especialidade e aplique-o. Verá bons resultados e terá a sua planta em condições seguras para atravessar períodos de frio mais ou menos expressivo.

A Vanda coerulea tem defesas razoáveis contra a desidratação. Falo de desidratação e não períodos de secura, pois jamais a planta deverá estar submetida a estresse hídrico, incluindo o período mais frio do Inverno. Na medida em que toda a estrutura da planta é exposta ao ar e não tem contacto com o solo ou qualquer tipo de composto, as raízes esponjosas funcionam como reservatório de água. Como reforço, as folhas são espessas ou coriáceas, reagindo bastante bem aos ciclos de escassez de humidade, já que não possui pseudo-bolbos como a maioria das espécies de orquídeas. Este facto não implica que a planta não aprecie o encharcamento das suas raízes em água por alguns minutos. Se a temperatura baixar para além dos 12ºc, não deverá regar e se por ventura o frio se mantiver, proceda somente 2 vezes por semana respeitando a regra acima aconselhada. Nos anos de frio intenso e muito seco, com humidade relativa no ar muito baixa, registando-se menos de 65%, providencie pulverizações com alguma regularidade, durante as horas com temperatura mais elevada do dia (ainda que esta não atinja sequer o valor de 12ºc de referência). Durante o verão, deve regar a planta quotidianamente e neste processo as raízes devem ficar molhadas o tempo suficiente até que mudem de cor esbranquiçada, enquanto secas, para esverdeadas o que significa que a planta absorveu a água. 70% de humidade relativa é o razoável e 50% o limite para determinar a sobrevivência do exemplar. Aos 30%, as plantam morrem. Nestes períodos secos do ano, humidifique o ambiente onde a planta se encontra, para que a humidade se mantenha por mais tempo. Em locais acimentados e de pavimento coberto, o calor é mais facilmente retido e o ar ressequido com maior rapidez, tenha, por conseguinte, em atenção este facto.
É vital que as raízes sequem ciclicamente a fim de evitar a podridão por asfixia radicular, proliferação de fungos ou bactérias. Frequentemente as plantas morrem por excesso de água e por outro lado, a perda das folhas da base alerta para a sua desidratação e em pouco tempo também poderá morrer. Sucedem casos de exemplares cultivados em substrato, o qual durante a época das chuvas, com o aumento da pluviosidade, mantém-se constantemente húmido estimulando a deterioração das raízes, acabando por apodrecer. Deve de imediato libertar o indivíduo do composto, arejando as raízes e colocando-a num cesto em suspensão num local bem ventilado, controlando a humidade do ar que deverá ser elevada. Recorra a hormonas de enraizamento para estimular a formação de novas raízes e fortalecer as existentes por meio dos referidos indutores de enraizamento.



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1. Velame ou velamen consiste no revestimento de cor acinzentada, quando seca, ou esverdeada, quando humedecida, resultante do processo de fotossíntese efectuado pelas  raízes aéreas desta espécie de orquídeas. São várias camadas espessas de células capazes de absorver nutrientes e a humidade do ar. Esta epiderme esponjosa, característica de algumas plantas epífitas ou semi espífitas, fixam os nutrientes em associação com fungos e bactérias, o que permite à planta manter-se acima do solo, com as suas raízes completamente expostas e em vantagem directa sobre outras espécies de plantas. Estas estruturas servem ainda de reservatório de água, conferindo-lhe uma maior capacidade para mantê-la hidratada.


Seguindo meticulosamente a atenção quotidiana dispensada relativamente à fertilização, a Vanda coerulea, demonstrou ser uma excelente planta de exterior especialmente indicada para o clima da cidade de Lisboa, onde não ocorrem geadas, para as zonas da costa do Estoril, Caparica e do Algarve num raio de no máximo 5 km para o interior. Os indivíduos devem ser cultivados suspensos dentro de pequenos cestos ou sobre ramos de árvores, atendendo sempre ao espaço de que necessitam para desenvolver o seu impressionante sistema de raízes aéreas. A forma mais fácil é suspendê-las em cestos de plástico ou de madeira com recurso a arame. O arame, pouco estético e de aspecto agressivo pode ser envolvido com Tillandsia usneoides, bem como o próprio cesto, a fim de integrar com mais harmonia a orquídea na paisagem do seu jardim. O material mais indicado é o cesto de plástico pela menor incidência de fungos e bactérias uma vez que não são porosos e secam rapidamente. A dimensão dos cestos é reduzido com cerca de 10 cm de altura e largura e uma vez colocada o exemplar não deve, de todo, ser removido. Se no seu caso, a planta que for plantar for ainda bastante pequena, utilize um cesto definitivo, pois qualquer Vanda ou vandácea reage mal a um transplante. Tendo absoluta necessidade, mergulhe as raízes em água ainda dentro do cesto original por alguns momentos, de maneira que as raízes suavizem e uma vez amolecidas seja mais fácil retirá-las para um cesto de maiores dimensões. Esta prática não vai ser, certamente, necessária para aqueles exemplares cultivados no exterior dado que, nestas condições, não tomarão proporções massivas que exijam uma mudança de cesto. O cesto tem como única função o suporte de fixação da planta ou de sustentação se for pendurada. Existem horticultores que cultivam-nas sem nenhum recipiente. Por consequência, percebe-se que as raízes jamais deverão ficar enterradas, seja qual for o substrato. O substrato deve ser do tipo de larga granulagem e somente substituído quando se começar a degradar. Excepção para os juvenis, que podem estar acondicionadas em cestos com musgo, cascas de madeira, brita e pequenas bolas de argila. A multiplicação não é o meu objectivo no cultivo de qualquer orquídea, senão a sua mera utilização, aplicação, manutenção e cultivo no jardim de exóticas ao ar livre.




Ilustração dos cestos para acolher os exemplares de Vanda coerulea. Não precisam de qualquer tipo de composto. A planta é colocada directamente dentro do cesto e as suas raízes crescerão por entre a grelha. (Fotos não do autor)



Estas não deverão nunca ser incomodadas ou danificadas sob pena de a planta não florir e enfraquecer durante a estação ou por ainda mais tempo. A mudança de localização pode afectá-la pelo que sugiro muito cuidado na disposição no jardim exterior. O lugar deve ser permanente e protegido de correntes fortes de ar frio, soalheiro, de preferência a nascente e sul, sem formação de geada. Veja em baixo, algumas propostas onde as orquídeas podem ser cultivadas.




Uma situação em que a Vanda coerulea é cultivada sobre um rochedo, mantendo um comportamento rupícula. Esta situação registada num borboletário na Flórida, será muito difícil de reproduzir no clima português, uma vez que as necessidades de humidade nestas condições aumentam, em confronto com o cultivo em suspensão. A rocha exposta às horas de sol atinge elevadíssimas temperaturas, o que provocará queimaduras na planta e uma arriscadíssima desidratação em pouco tempo se não for compensada com humidade atmosférica permanente. Para tal, será preciso instalar um aspersor de água programado para debitar todos os 30 minutos. Se tiver a infra-estrutura disponível para criar este ambiente no seu jardim, terá, certamente, um efeito brilhante e perfeito para o cultivo desta orquídea. (Foto do autor)





Nesta situação os indivíduos foram colocados nos caules de palmeiras. O efeito é muito estético e com vantagens para o desenvolvimento correcto das plantas, tendo em atenção a exposição solar, a protecção dos fortes ventos frios e formação de geada. Estes dois registos fotográficos foram tirados na Florida pelo autor.


A ventilação é outra característica fundamental para manter uma planta saudável. As raízes têm de ter a oportunidade de secar até à nova rega através de um ambiente devidamente arejado. Este detalhe não só diminui o risco de podridão como evita o desenvolvimento de diversas doenças, como fungos e afídios. O vento moderado evita a acumulação de poeiras nefastas à respiração da planta. No seu habitat natural, em grande altitude, estas orquídeas suportam relativamente bem a força do vento, contudo, entre nós, os ventos persistentes e frios de norte e leste não deverão atingir os exemplares sob pena de os perder. A chuva intensa e prolongada associada à falta de ventilação, leva ao surgimento de manchas nas folhas e consequente apodrecimento das mesmas e dos novos rebentos. A situação agrava-se nestas condições de encharcamento constante das raízes uma vez que os fungos, quase sempre presentes nas plantas, encontram condições ideais e rapidamente se desenvolvem. Recorrer a um fungicida requer cuidados especiais dada a toxicidade destes produtos para os humanos, animais domésticos e meio ambiente.




A luminosidade é importantíssima para o bom desenvolvimento da sua Vanda coerulea. Aprecia receber directamente a luz solar, por algumas horas diárias, em ambas as estações, a de desenvolvimento no Verão e a de repouso no Inverno. Todavia, deverá ser resguardada do sol forte directo nas horas de maior intensidade dado que aumenta o risco de queimadura solar. Nestas horas do dia, as plantas poderão receber 40% da luz solar desde que filtrada. Uma das causas da falta de floração é muito provavelmente uma diminuição na luminosidade. Um sintoma são as suas folhas verdes muito escuras e numa fase mais adiantada, a perda de muitas das suas folhas. Com frequência tornam-se plantas flácidas e estioladas, com um crescimento muito desproporcionado e exagerado, num esforço por buscar a luz que precisa. Nesta situação jamais irá florir. O excesso reflecte-se numa planta com folhas amareladas e até com queimaduras. O normal será um exemplar com folhas de cor verde ligeiramente amareladas.
A Vanda coerulea é entre os vários géneros de orquidáceas, a que mais aprecia luz solar. Os tipos teretiformes do género Vanda necessitam de sol pleno e crescem melhor em zonas com clima de luz forte.

No decorrer desta investigação sobre a adaptabilidade da espécie em questão, com surpresa, li relatos e descrições de ambientes nativos onde a espécie se desenvolve, em que defendiam uma maior resistência ao frio se comparado com os conselhos encontrados na literatura publicada mais recentemente. Vou explorar um pequeno trecho da obra de J. D. Hooker, que publicou na sua obra em 1854, Notes of a Naturalist, mais conhecido por Himalayan Journals:

"The dry grassy hills which it inhabits
are elevated 3000 to 4000 feet:
[1] the trees are small, gnarled, and
very sparingly leafy, so that the Vanda which grows on their limbs is
fully exposed to sun, rain, and wind. There is no moss or lichen on
the branches with the Vanda, whose roots sprawl over the dry rough
bark. The atmosphere is on the whole humid, and extremely so during
the rains; but there is no damp heat, or stagnation of the air, and
at the flowering season the temperature ranges between 60 degrees and
80 degrees,
[2] there is much sunshine, and both air and bark are dry
during the day: in July and August, during the rains, the temperature
is a little higher than above, but in winter it falls much lower, and
hoar-frost forms on the ground. Now this winter's cold, summer's
heat, and autumn's drought, and above all, this constant free
exposure to fresh air and the winds of heaven, are what of all things
we avoid exposing our orchids to in England."
[3]
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1. 3000 pés correspondem sensivelmente a 915 m de altitude e 4000 pés a 1220 m de altitude.
2. 60º F traduz-se em 15,5º C e 80º fahrenheit são 26,5º centígrados.
3. Nas colinas cobertas de ervas secas a uma altitude entre os 915 m e os 1220 m encontram-se árvores pequenas e retorcidas com folhas esparsas, sobre os ramos das quais a Vanda cresce, exposta a pleno sol, chuva e vento. Não se encontram musgos ou líquenes nos ramos secos onde as raízes das orquídeas se enrolam e se fixam. A atmosfera é húmida sobretudo durante o período da época chuvosa. Porém não se sente aquele ar quente húmido, pesado, denso e estagnado e, na época da floração, a temperatura varia entre os 15, 5º c e os 26,5º c. com dias muito solarengos. O ar e os troncos mantêm-se secos durante o dia. Em Julho e Agosto, na estação das chuvas, a temperatura é um pouco mais elevada daquela anteriormente mencionada, mas no Inverno cai significativamente até valores baixos com formação de cristais de gelo no solo. O frio do Inverno, o calor do Verão e a secura do Outono e, sobretudo, o ar fresco e bem ventilado constante a que as orquídeas estão expostas naquele habitat, é tudo o que evitamos expor as nossas orquídeas em Inglaterra. (tradução livre do autor)




Uma outra observação disponibilizada no sítio de Kew Royal Botanic Gardens, defende uma ideia totalmente contrária a todas as referências sobre limites de temperatura que esta espécie tolera. Transcrevo a afirmação que muito me intrigou; Growing in the wild at relatively high elevations for this genus, Vanda coerulea is adapted to low night-time temperatures and cannot be easily cultivated in tropical and subtropical regions. [1]
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1. No seu habitat natural, cresce em áreas relativamente elevadas para este género e por essa razão, a Vanda coerulea está adaptada a baixas temperaturas nocturnas e não é fácil o seu cultivo em regiões tropicais e subtropicais.


Gostaria de acreditar com total segurança nesta afirmação e confiar na sobrevivência das plantas que estão sujeitas a um frio intenso. Na minha opinião, são os relatos de jardineiros amadores, entusiastas de botânica, fitólogos e horticultores particulares que mais valorizo para complementar a informação mais correcta sobre o cultivo de Vanda coerulea em certas zonas climáticas de Portugal continental. Em fóruns de discussão cibernauta tenho vindo a descobrir situações absolutamente inusitadas e que, de certa forma, revolucionam os manuais de cultura hortícola. É o caso da imagem que apresento de seguida, de um exemplar de Vanda coreulea coberta de neve. O episódio surpreendente ocorreu em Roma,e foi comentada num fórum de discussão sobre plantas exóticas. Reconheço que o meu cepticismo inicial, quando li o comentário da responsabilidade de Kew, deixou de fazer sentido ao ser confrontado com esta imagem.

O exemplar de Vanda coerulea, cultivada por Thomas Kubicek, desde 2005 num lugar protegido do seu terraço. Em 2010, durante um rigoroso Inverno, registou a 31 de Março, esta imagem invulgar e insólita, que na verdade, servirá de estímulo para os entusiastas e iniciantes no cultivo de orquidáceas no nosso país. No Verão desse mesmo ano, floriu por duas vezes. http://www.flickr.com/photos/tomaskubicek/4479672048/
O mesmo exemplar da foto anterior durante a floração no Verão de 2010, após ter atravessado um rigoroso Inverno em Roma. (Foto não do autor)

O mesmo exemplar de Roma, numa foto gentilmente cedida por Tomas Kubicek, durante o Verão de 2012, depois de ter atravessado um outro Inverno bastante rigoroso, com queda de neve no mês de Fevereiro de 2012.



Nestas duas fotos apresento os exemplares de Vanda coerulea que o Sr. Miguel Narciso cultiva num pátio a céu aberto na zona da Várzea de Sintra. Abrigadas dos ventos frios de Inverno pelas paredes que circundam o referido pátio, as contrariedades daquela estação fria, particularmente agreste naquela região do distrito de Lisboa, são atenuadas, criando um microclima estável e benéfico para a sobrevivência da espécie. As florações são regulares e anuais. Foto do autor em Junho de 2012.



 Estas três fotos, são registos cedidos por Filipe Oliveira Martins, dos exemplares que cultiva a céu aberto, em Lisboa. Ligeiramente recolhidas e protegidas por um canto na entrada do prédio onde habita, as plantas manifestaram bons resultados na aclimatação, tendo florido com insistência. As fotografias datam do Verão de 2012.


Antes mesmo de avançar com detalhes sobre este episódio, deixo uma referência sobre os efeitos do frio na Vanda coerulea. Os sintomas de danos causados pelo frio são vários e fáceis de reconhecer; lesões nas folhas, descoloração, manchas, apodrecimento dos tecidos que rapidamente murcham e escurecem. O enfraquecimento das defesas da planta por consequência do frio levam-na a ficar mais susceptível a fungos e bactérias. A geada, por outro lado, manifesta os seus efeitos na planta, alguns dias após ter ocorrido este fenómeno meteorológico. Se após a formação de geada, as temperaturas baixas se mantiverem em associação a uma elevada humidade, os sinais de queimaduras provocadas pela geada poderão tardar mais a surgir, enquanto os dias soalheiros e com temperaturas mais elevadas, aceleram o desenvolvimento dos sintomas dos danos nos indivíduos. O grau de gravidade dos efeitos depende da exposição que a planta sofreu à geada.

As temperaturas podem ser bastante elevadas, que não afectarão as plantas. Dias muito quentes, típicos do nosso verão, não são ameaças para a saúde da planta. Suportam bem temperaturas até os 40ºc. Quando ocorre, a humidade do ar terá obrigatoriamente de ser elevada. Pelo contrário, descidas acentuadas de temperatura, provoca uma paragem no seu crescimento e até perda de flores se estiverem em plena floração, factos que são retomados semanas após a passagem destes períodos. Entre os 12 e os 15ºc, as Vanda, cessam a sua actividade e entram em repouso, o que lhes permite superar as condições menos favoráveis originadas pelo frio. O repouso pode ser prolongado e depende de indivíduo para indivíduo. Um exemplar cultivado ao lado de outro, nas mesmas condições, podem apresentar comportamentos distintos, enquanto um floresce o outro está em repouso. Nos restritos locais em Portugal continental onde é possível cultivar Vanda, não existe norma ou regra que sirva para todos os exemplares. Tudo indica que depende das condições de sanidade de cada orquídea, a forma como reage às adversidades climatéricas e de temperatura em particular. Conclui-se que o factor sorte é importante aquando na aquisição de uma orquídea, pois apesar da sua boa apresentação, poderá guardar maior ou menor capacidade para reagir ao inverno português.



 As primeiras imagens, que datam de Novembro de 2011, dos exemplares por mim cultivados no exterior, em Lisboa, apresentam-se muito saudáveis embora o frio já se tenha feito sentir com alguma intensidade. O indivíduo da direita irá florir, cerca de um mês mais tarde e a evolução do crescimento da haste floral, como poderá comprovar pelas fotos seguintes, será particularmente rápida. (Foto do autor).



 No mês de Dezembro de 2011, uma haste floral começa a surgir. (Foto do autor).


 Imagem registada a 28 de Janeiro de 2012, onde se destaca o desenvolvimento da haste floral de somente um dos 3 exemplares existentes no meu jardim. (Foto do autor)
 Foto tirada a 28 de Fevereiro de 2012, um mês depois da anterior. (Foto do autor)
Esta última imagem data de 15 de Março de 2012 e mostra a floração totalmente aberta. As restantes plantas continuam sem desenvolver hastes florais.
Exemplo de 3 Vanda coerulea, introduzidas ao mesmo tempo e cultivadas no mesmo local, com respostas diferentes durante o frio do inverno em Lisboa. Todas receberam a mesma quantidade de rega, humidade relativa, fertilizante e luminosidade solar. Somente uma desenvolveu a haste floral no final do mês de Janeiro, o mais frio da estação invernosa de 2011-2012, sem manifestar incómodo pela flutuação de temperatura. A floração durou por cerca de 3 meses. Os restantes exemplares quebraram o seu repouso, no início do mês de Abril e desenvolveram apenas novas folhas. (Foto do autor)

 No Verão de 2012, em Julho, a mesma Vanda coerulea, volta a produzir uma haste floral e surge, pela primeira vez, noutro indivíduo, uma floração. O ciclo bianual de produção de flores está confirmado nestes exemplares cultivados no exterior em Lisboa. (Foto do autor)





 No início de Agosto de 2012, as flores abriram e foi possível verificar duas tonalidades de azul. Pela primeira vez, o indivíduo do meio floriu, oferecendo flores de um azul intenso. O exemplar da direita, que já havia florido em pleno Inverno de 2011-2012, voltou a mostrar as cores mais esbatidas das suas flores. Estes exemplares pertencem à colecção particular do autor, em Lisboa.



Em Outubro de 2012, os exemplares voltam a florir. A grande produção de flores é um dos motivos de maior interesse desta espécie exótica. No ano de 2012, o grupo de plantas da colecção do autor floriu em Março, Julho-Agosto e Outubro. (fotos do autor)


Em baixo, uma série de novas introduções na colecção do autor. Em pleno Janeiro de 2014, comprei quatro belíssimos exemplares no mercado de flores de Amesterdão, a um preço absolutamente tentador já que estavam no final da floração e o vendedor queria substituí-las por novas aquisições. Esta é a variedade laranja. Vinda directamente de um ambiente de estufa, não tive receio algum em submetê-las ao frio de Lisboa, já que são orquídeas capazes de suportar as agruras do Inverno, sem quaisquer problemas. E confirmou-se, passado aquela estação, novas raízes imediatamente se formaram demonstrando uma boa adaptação. (Fotos do autor)







Considerando que a Vanda coerulea demonstra alguma tolerância ao frio dentro de certos limites que se resumem a algumas horas sem a formação de geada ou neve, a questão coloca-se aquando da aquisição de um exemplar sabendo que estamos a escolher a espécie correcta, dada a dificuldade em distinguir ou mesmo identificar esta espécie. Com o mercado inundado de híbridos, se for facultada informação sobre a ascendência da sua planta será uma vantagem e terá como orientação para uma escolha acertada se a Vanda coerulea estiver presente com uma grande percentagem naquele hibridismo. Neste caso, o cultivar terá boas hipóteses de ser tolerante ao frio.

Importa agora entender e conhecer o que é uma Vanda coerulea e o que são os híbridos [1] ou Ascocenda. Vanda é um género natural com cerca de 77 espécies até ao momento conhecidas. Asconcenda é um género criado pelo homem a partir do cruzamento entre o género Vanda e o género natural Ascocentrum, este com cerca de 13 espécies até ao momento descritas. Por conseguinte, não existem espécies dentro do género híbrido Asconcenda. A matriz de quase a totalidade dos híbridos existente comercialmente surgem a partir da Vanda sanderiana e não mais que 8 espécies de Vanda das 77 existentes, são utilizadas para criar híbridos comerciais. No caso do género natural Ascocentrum, somente 3 das 13 espécies são usadas para cruzamento.

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1. A palavra híbrido, significa contrário às leis da natureza e chegou por via do latim hibrida, -ae, animal ou planta resultado de cruzamento de espécies. A palavra latina hibrida tem origem na palavra grega hybris, significando "ultraje"; a miscigenação ou a mistura de coisas de ordem distinta, segundo os gregos, corrompia as leis naturais.        

As orquidáceas têm como particularidade e vantagem, a capacidade de hibridização entre espécies do mesmo género para além de exemplares de géneros relacionados. Esta possibilidade é muito restrita no mundo vegetal, o que distingue as orquídeas e entusiasma os horticultores na aventura da criação de novos cultivares ou híbridos. Este é um mundo quase infinito de propostas que surgem no circuito comercial e exige uma atenção à parte. Quem se interessar por híbridos poderá conhecer uma vastíssima oferta listada na publicação da responsabilidade da RHS ou Royal Horticultural Society, do Reino Unido (o qual segue os princípios do International Orchid Register) que regista oficialmente todos os híbridos e inclui-os no Sander´s Complete List of Orchid Hybrids. Receberão a identificação segundo os nomes das espécies cruzadas que de um modo geral respeitam a seguinte regra taxonómica;

Quando as plantas têm origem em cruzamentos de dois ou mais géneros diferentes, o registo internacional de orquídeas, ou International  Orchid Register, ocupa-se em emitir uma designação por si aprovada. Assim, a título de exemplo, o cruzamento entre espécies dos géneros Brassavola, Laelia e Cattleya resulta na designação do género híbrido Brassolaeliocattleya. Um cruzamento surgido dos géneros Cattleya e Epidendrum resulta na designação Epicattleya. Por vezes, são atribuídos novos táxones, [2] usando o sufixo ara, e temos como exemplo o género Portinara, um cruzamento entre os géneros Brassavola, Laelia, Cattleya e Sophronitis. Outro detalhe importante é a inexistência de espécies resultantes dos cruzamentos, logicamente. Recebem somente a identificação do género seguido de um nome que distingue o híbrido em particular. As espécies ocorrem unicamente no meio natural.








Conclui-se que os nomes das orquídeas também se regem de acordo com o padrão das normas da taxonomia; inicia com o nome do género, seguido da espécie ou o nome do híbrido e, neste caso, frequentemente acrescenta-se-lhe o nome do cultivar, por vezes informação sobre o parentesco ou ascendência da planta, informação poliplóide [3] ou ainda galardões que tenha recebido. Daí que resulte em classificações algo complexas e confusas, que merece a pena ter um suave conhecimento a fim de evitar comprar exemplares inadequados aos novos objectivos de cultivo no exterior.
Por fim, é vulgar surgir de forma abreviada o nome do género das espécies, tida como grafia aceite entre os orquidólogos.

Onc. Sharry Baby 'Sweet Fragrance' AM/AOS (Onc. Jamie Sutton × Onc. Honolulu) é a classificação para o género Oncidium que aparece abreviado como Onc., seguido do nome do híbrido Sharry Baby seguido do nome do cultivar ‘Sweet Frangrance’ (nome atribuído a este exemplar em particular e aos seus clones ou divisões) seguido dos galardões que recebeu AM, um prémio de mérito ou Award of Merit, seguido pela instituição que o concedeu, a sociedade americana de orquídeas, AOS ou o American Orchid Society. Finalizando, a classificação dá-nos a informação que se trata de um cruzamento entre Onc. Jamie Sutton e Onc. Honolulu. O exemplo anteriormente descrito trata-se, como já foi dito, de um híbrido criado pelo homem e nesta condição a sua classificação é grafada com o nome do género em latim e itálico seguido dos nomes grafados numa língua viva, sempre em maiúsculas e jamais em itálico. Os nomes dados quer aos híbridos, quer aos cultivares homenageiam com frequência o próprio criador ou alguém seu próximo ou conhecido, que os regista com total liberdade de escolha. Temos como exemplo a Vanda Pereiraara, entre tantos.


Casos de hibridismo ocorrido no meio natural, sem qualquer intervenção humana, seguem os padrões definidos para a classificação de espécies naturais, sempre em latim e itálico; Vanda × confusa (V. coerulescens × V. lilacina) natural do Myanmar ou antiga Birmânia. O nome do género em maiúsculas e o da espécie em minúsculas.

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2. O termo táxon (plural taxa), constituído no VII Congresso Internacional de Botânica, realizado em 1950 em Estocolmo, corresponde a cada um dos grupos taxonómicos utilizados na classificação dos seres vivos. táxon. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-04-10].
3. Uma planta polipóide,tem células cujos núcleos contam mais de 2 cromossomas de cada. A polipóidia é a situação genética de núcleo celular, célula, ou organismo, em que há 3 ou mais conjuntos de cada cromossoma. Com alguma raridade constatamos classificações de híbridos e cultivares que incluem no seu táxon a informação do número de cromossomas da planta; assim são grafados em conjunto com o nome da planta os indicadores 2N, 3N ou 4N. O primeiro significa uma planta diplóide, ou seja duas cópias de cada cromossoma, 3 cópias para o triplóide e por último tetraplóide com 4 cópias. A partir de 3 cópias inclusive designa-se um exemplar polipóide. As plantas triplóides produzem flores maiores que uma planta diplóide, porém poderão crescer mais lentamente. Este mundo inesgotável da genética apenas merece referência para que se entenda o grafismo dos táxones e simultaneamente interessa àqueles que intentem a propagação das orquídeas por semente.  


Outra questão muito pertinente e desconhecida pela população em geral é a explicação no custo elevado das orquídeas no mercado. Simplesmente baseia-se na dificuldade de propagação das espécies que requerem, de grosso modo, muito tempo, por vezes anos. [4]


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4. Transcrevo uma explicação sucinta e clara para este assunto, retirado de um sítio sobre venda de híbridos do género Vanda onde se procede à multiplicação de orquídeas por meio de laboratório. As Vanda que apresentam crescimento monopodial são,em geral bastante lentas, para além de obtenção de mudas por crescimento vegetativo não ser tão simples quanto as plantas de crescimento simpodial, ficando na dependência de que alguma gema dormente existente no caule principal da planta desperte e gere um novo broto,. Este só poderá ser separado da planta mãe após cerca de seis a oito anos. A reprodução por semente ou meristema também é bastante lenta, sendo que uma planta produzida em laboratório levará para florir pela primeira vez um período de tempo que chega a ser superior a dez anos.
A necessidade de se reduzir este tempo levou os hibridistas a cruzarem Vanda com Ascocentrum, de florescimento precoce mas que possui o inconveniente de ter flores muito pequenas. Nasceu assim um híbrido intergenérico que recebeu o nome de Ascocenda.
Uma Ascocenda de primeira geração chega a florescer em cerca de cinco anos mas as suas flores em geral não ultrapassam cerca de 3cm de diâmetro. Quando se cruza uma Ascocenda de primeira geração com uma Vanda, o novo híbrido mantém a precocidade da floração e as flores já ultrapassam os 5cm de diâmetro. Em três ou quatro gerações, as Ascocenda já apresentam flores tão grandes que nada ficam devendo aos híbridos de Vanda puros e são facilmente confundidas com estes.‘



Chegamos ao momento de enumerar as espécies existentes e conhecidas para que seja possível chegar mais perto do exemplar certo na altura de escolher uma planta que intencionamos comprar. Uma vez disponibilizados conselhos sobre o cultivo dos exemplares encontrados à venda, importa reunir o maior número de informação para que possamos identificar a espécies que estaremos prestes a adquirir. Desta forma, de seguida listo as
espécies e as suas regiões nativas. Esta listagem tem particular interesse para seleccionar as espécies oriundas de regiões temperadas ou subtropicais, mais indicadas para o cultivo em exterior, nas zonas de Portugal continental com clima ameno durante o Inverno. As espécies indígenas dos Himalaias, Butão, Anuchal Pradesh e Assam, na Índia e Yunnan, na China, são as que mais probabilidades oferecem no processo de aclimatação.

Vanda alpina (dos Himalaias até à China – sul de Yunnan)
Vanda arcuata (Indonésia - Sulawesi)
Vanda bensonii (Assam até à Tailândia)
Vanda bicolor (Butão)
Vanda bidupensis (Vietname)
Vanda brunnea (China - Yunnan até à Indochina)
Vanda celebica (Indonésia – Sulawesi)
Vanda coerulea (Assam até à China – sul de Yunnan)
Vanda coerulescens (Arunachal Pradesh até à China – sul de Yunnan)
Vanda concolor (Sul da China até ao Vietname)
Vanda cristata (Himalaia até à China – noroeste de Yunnan)
Vanda dearei (Borneo)
Vanda denisoniana (China - Yunnan até norte da Indochina)
Vanda devoogtii (Sulawesi)
Vanda flabellata (sul de Yunnan até à Indochina)
Vanda foetida (sul de Sumatra)
Vanda furva (Java, Maluku, Filipinas, Nova Guiné)
Vanda fuscoviridis (sul da China até ao Vietname)
Vanda gibbsiae (norte do Borneo)     .
Vanda griffithii (leste dos Himalaias)
Vanda hastifera (Borneo)
Vanda helvola (oeste da Malasia até às Filipinas)
Vanda hindsii (Papuásia até ao norte de Queensland)
Vanda insignis (ilhas Sunda)
Vanda jainii (Assam)
Vanda javierae (Filipinas - Luzon)
Vanda jennae (Sulawesi)
Vanda lamellata (Taiwan até às Filipinas, norte do Borneo)
Vanda lamellata var. boxallii (Filipinas - Luzon)
Vanda lamellata var. lamellata (norte do Borneo, Nansei-shoto (Senkaku-gunto), sul de Taiwan (incl. Lan Yü) até às Filipinas e Marianas)
Vanda lamellata var. remediosae (Filipinas – Minadanao).
Vanda leucostele (Sumatra)
Vanda lilacina (China - Yunnan até à Indochina)
Vanda limbata (Java, ilha de Sunda., Filipinas - Mindanao)
Vanda liouvillei (Assam até à Indochina)
Vanda lombokensis (ilha de Sunda)
Vanda luzonica (Filipinas - Luzon)
Vanda merrillii (Filipinas)
Vanda metusalae (Sulawesi até Maluku)
Vanda motesiana. (Arunachal pradesh)
Vanda petersiana (Mianmar)
Vanda pumila (Nepal até Hainan e norte de Sumatra)
Vanda punctata (Malasia pensinsular)
Vanda roeblingiana (Filipinas - Luzon).
Vanda sanderiana (sinónimo de Euanthe sanderiana)
Vanda scandens (Borneo, Filipinas - Mindanao).
Vanda spathulata (Índia -Kerala, Tamil Nadu, Sri Lanka)
Vanda stangeana (Índia - Arunachal Pradesh até Assam)
Vanda subconcolor (China – sudoeste de Yunnan até Hainan)
Vanda sumatrana (Sumatra)
Vanda tessellata (Índia até à Indochina)
Vanda testacea (Índia até ao sul da China)
Vanda thwaitesii (Índia, Sri Lanka)
Vanda tricolor (Laos, Java até Bali)
Vanda tricolor var. suavis. (Java até Bali)
Vanda tricolor var. tricolor. (leste de Java)
Vanda ustii (Filipinas - Luzon).
Vanda vipanii (Mianmar)
Vanda wightii (sul da Índia)




Os nomes em negrito indicam os nomes válidos. A lista inclui os nomes não validados e sinónimos entre todas as espécies conhecidas do género Vanda.
http://apps.kew.org/wcsp/qsearch.do  World checklist of selected plant families reúne toda informação sobre as espécies válidas e sinónimos, com detalhes sobre a sua origem geográfica.


Lista de híbridos naturais;

Vanda × amoena (V. coerulea × V. tessellata) (Assam)

Vanda × boumaniae (V. insignis × V. limbata) (Ilhas de Sunda)
Vanda × charlesworthii (V. bensonii × V. coerulea) (Myanmar)
Vanda × confusa (V. coerulescens × V. lilacina) (Myanmar)
Vanda × Miss Joaquim (V. hookeriana × V. teres) (Singapore)

Lista de híbridos intergenéticos (onde paticipa o género Vanda)
Aeridovanda (Aerides × Vanda)
Aeridovanisia (Aerides × Luisia × Vanda)
Alphonsoara (Arachnis × Ascocentrum × Vanda × Vandopsis)
Andrewara (Arachnis × Renanthera × Trichoglottis × Vanda)
Aranda (Arachnis × Vanda)
Ascocenda (Ascocentrum × Vanda)
Ascovandoritis (Ascocentrum × Doritis × Vanda)
Bokchoonara (Arachnis × Ascocentrum × Phalaenopsis × Vanda)
Bovornara (Arachnis × Ascocentrum × Rhynchostylis × Vanda)
Burkillara (Aerides × Arachnis × Vanda)
Charlieara (Rhynchostylis × Vanda × Vandopsis)
Christieara (Aerides × Ascocentrum × Vanda)
Darwinara (Ascocentrum × Neofinetia × Rhynchostylis × Vanda)
Debruyneara (Ascocentrum × Luisia × Vanda)
Devereu×ara (Ascocentrum × Phalaenopsis × Vanda)
Eastonara (Ascocentrum × Gastrochilus × Vanda)
Fujiora (Ascocentrum × Trichoglottis × Vanda)
Goffara (Luisia × Rhynchostylis × Vanda)
Hawaiiara (Renanthera × Vanda × Vandopsis)
Hagerara (Doritis × Phalaenopsis × Vanda)
Himoriara (Ascocentrum × Phalaenopsis × Rhynchostylis × Vanda)
Holttumara (Arachnis × Renanthera × Vanda)
Isaoara (Aerides × Ascocentrum × Phalaenopsis × Vanda)
Joannara (Renanthera × Rhynchostylis × Vanda)
Kagawara (Ascocentrum × Renanthera × Vanda)
Knappara (Ascocentrum × Rhynchostylis × Vanda × Vandopsis)
Knudsonara (Ascocentrum × Neofinetia × Renanthera × Rhynchostylis × Vanda)
Leeara (Arachnis × Vanda × Vandopsis)
Luisanda (Luisia × Vanda)
Luivanetia (Luisia × Neofinetia × Vanda)
Lewisara (Aerides × Arachnis × Ascocentrum × Vanda)
Maccoyara (Aerides × Vanda × Vandopsis)
Macekara (Arachnis × Phalaenopsis × Renanthera × Vanda × Vandopsis)
Micholitzara (Aerides × Ascocentrum × Neofinetia × Vanda)
Moirara (Phalaenopsis × Renanthera × Vanda)
Mokara (Arachnis × Ascocentrum × Vanda)
Nakamotoara (Ascocentrum × Neofinetia × Vanda)
Nobleara (Aerides × Renanthera × Vanda)
Okaara (Ascocentrum × Renanthera × Rhynchostylis × Vanda)
Onoara (Ascocentrum × Renanthera × Vanda × Vandopsis)
Opsisanda (Vanda × Vandopsis)
Pageara (Ascocentrum × Luisia × Rhynchostylis × Vanda)
Pantapaara (Ascoglossum × Renanthera × Vanda)
Paulara (Ascocentrum × Doritis × Phalaenopsis × Renanthera × Vanda)
Pehara (Aerides × Arachnis × Vanda × Vandopsis)
Pereiraara (Aerides × Rhynchostylis × Vanda)
Phalaerianda (Aerides × Phalaenopsis × Vanda)
Raganara (Renanthera × Trichoglottis × Vanda)
Ramasamyara (Arachnis × Rhynchostylis × Vanda)
Renafinanda (Neofinetia × Renanthera × Vanda)
Renanda (Arachnis × Renanthera × Vanda)
Renantanda (Renanthera × Vanda)
Rhynchovanda (Rhynchostylis × Vanda)
Ridleyare (Arachnis × Trichoglottis × Vanda)
Robinaria (Aerides × Ascocentrum × Renanthera × Vanda)
Ronnyara (Aerides × Ascocentrum × Rhynchostylis × Vanda)
Sanjumeara (Aerides × Neofinetia × Rhynchostylis × Vanda)
Sarcovanda (Sarcochilus × Vanda)
Shigeuraara (Ascocentrum × Ascoglossum × Renanthera × Vanda)
Stamariaara (Ascocentrum × Phalaenopsis × Renanthera × Vanda)
Sutingara (Arachnis × Ascocentrum × Phalaenopsis × Vanda × Vandopsis)
Teohara (Arachnis × Renanthera × Vanda × Vandopsis)
Trevorara (Arachnis × Phalaenopsis × Vanda)
Trichovanda (Trichoglottis × Vanda)
Vascostylis (Ascocentrum × Rhynchostylis × Vanda)
Vandachnis (Arachnis × Vandopsis)
Vancampe (Acampe × Vanda)
Vandaenopsis (Phalaenopsis × Vanda)
Vandaeranthes (Aeranthes × Vanda)
Vandewegheara (Ascocentrum × Doritis × Phalaenopsis × Vanda)
Vandofinetia (Neofinetia × Vanda)
Vandofinides (Aerides × Neofinetia × Vanda)
Vandoritis (Doritis × Vanda)
Vanglossum (Ascoglossum × Vanda)
Wilkinsara (Ascocentrum × Vanda × Vandopsis)
Yapara (Phalaenopsis × Rhynchostylis × Vanda)
Yusofara (Arachnis × Ascocentrum × Renanthera × Vanda)
Yonezawaara (Neofinetia × Rhynchostylis × Vanda)


Seguem-se alguns exemplos de híbridos de Vanda coerulea, os quais é notória a dificuldade em distingui-los da espécie natural. Somente grandes conhecedores de Vanda com larga experiência são capazes de fazer uma leitura correcta dos inúmeros híbridos existentes. A mais leve diferença de tom de cor e dimensão provoca o entusiasmo entre esta elite de coleccionadores. Para o cultivador e apreciador comum, torna-se bastante difícil diferenciar, entre tantas propostas, quem é quem e no meu ponto de vista, penso que o objectivo não será outro senão a escolha de um que agrade. Todos os híbridos aqui demonstrados são tolerantes ao clima mais suave de Portugal continental onde é possível cultivar Vanda coerulea ao ar livre.
Nota: todas as fotos de híbridos não são do autor.


Vanda Sansei Blue, é um cruzamento entre a Vanda Crimson Glory com Vanda coerulea. Muito premiada, oferece flores de tamanho grande.


Vanda Pakchong Blue "Kultana", é um cruzamento entre V. Doctor Anek com V. coerulea. Flores com cerca de 10 cms de diâmetro, portanto de tamanho muito grande para além da própria planta poder chegar aos 40 cms. Pode confundir-se o seu nome com o de outro híbrido, a Vanda Kultana Blue.



Com o nome de Vanda Kultana Blue, causa alguma confusão com o híbrido antes descrito, a Vanda Pakchong Blue "Kultana", porém é de menores dimensões e as suas flores têm um azul menos intenso.


Vanda coerulea Supra ('Superior Blue' × 'Blue Monday') um exemplo de híbrido que resulta de um cruzamento entre outros dois híbridos.



Vanda Similun x Vanda coerulea. Este híbrido tem a particularidade de produzir flores de dimensão muito grande com cerca de 9 cms de tamanho, em hastes com grande número de flores, de 7 a 8, logo desde a primeira floração e é considerada muito próxima da V. coerulea, um dos seus parentes. A cor varia entre os tons de azul e o roxo.


Vanda Bai Blue. Oferece flores de porte médio mas de um colorido azul muito brilhante e escuro.


Vanda Somsri Blue ‘Classic’. Trata-se praticamente de uma Vanda coerulea e que também apresenta flores de grandes dimensões com 9 cms de tamanho. É um híbrido com enormes semelhanças do exemplo descrito anteriormente. Um caso bem típico de exemplares que acrescentam dificuldade à já complicadíssima tarefa de distinguir cultivares no mercado.


Vanda Khao Lak x Vanda coerulea, resulta do cruzamento entre a V. Crimson Glory e a V. coerulea. Descrita como ‘uma planta de flor azul tesselado de boa forma e grande’


Vanda Fuchia Fushia x Vanda coerulea 4N. Com pouquíssimas diferenças das anteriores, é mais um exemplo que se junta ao leque de híbridos confusos para o amante pouco erudito neste tema. Segue as mesmas características descritivas das demais com profusão de flores nas hastes florais e de grandes dimensões.


Vanda Mae Salong Blue


Vanda Banjong Sky Blue "Preecha" , foi criada a partir do cruzamento entre a Vanda Kasems Delight e a Vanda Manuvadee.


Vanda Pachara Delight "Kultana"
Um dos híbridos mais populares e conhecidos, tem origem no cruzamento entre a Vanda Karulea e a Vanda Gordon Dillon. Oferece flores de enormes dimensões, com 10 cms ou mais, sobretudo se tiver uma planta já com alguma idade e bem desenvolvida.



Vanda Ogden Phipps x Vanda coerulea 2N


Vanda Sansai Blue "Dummi" Resultado do cruzamento entre V. Crimson Glory e V. coerulea. Descrita como o híbrido com flores de maior dimensão chegando a atingir os 13 cms.


Vanda Talor Blue
Um outro híbrido com flores de grande dimensão e muito próximo da V. coerulea.


V. Manuel Torres "Sathian"


V. Pakchong Delight x V. Katsuulea, 4n
Oferece flores até 11 cms de dimensão.



V.Tokyo Blue, nasce de um cruzamento entre V. Chindavat x V. coerulea.


Vanda Pimporm x V. coerulea, tem a particularidade de florir com muita frequência. A sua cor arroxeada é muito atraente.


Vanda Pures Wax "Blue Wax"
Resultado do cruzamento entre V. Doctor Anek com V. Kasem"s Delight. As suas flores são bastante escuras e muito vistosas.


Vanda Roberts Delight "Muang Kam"
Uma das vandas mais densas na tonalidade do azul-escuro.
Conseguido pelo cruzamento entre V. Kasems Delight com V. Madame Rattana.



Vanda Robert Delight "Blue". Um híbrido muito popular, surge como uma variante do clone anterior. Também é uma das vandas mais densas na tonalidade do azul-escuro.
Conseguido pelo cruzamento entre V. Kasems Delight com V. Madame Rattana.


Vanda Roberts Delight " Black"
Mais um híbrido muito popular e conhecido, surge como uma outra variante do clone anterior. Também é uma das vandas mais densas no tom preto.
Conseguido pelo cruzamento entre V. Kasems Delight com V. Madame Rattana.


Vanda Fuchs Delight
Grandes flores de um tom rosa muito cativante.


Vanda Bangkok Blue x Vanda Doctor Anek FCC 4n
Produz hastes de flores múltiplas cor-de-rosa salpicadas de um rosa mais intenso.


Vanda Manuvadee, um híbrido entre a V. Ponpimol e V. coerulea. Outro exemplo de flores muito grandes com 13 cms de diâmetro. Rara na cor rosa. As suas hastes florais têm grande número de flores.


Vanda Kao Yai Fantasy "Pink"


Vanda Pat Delight "Red"
Cruzamento entre V. Kasem"s Delight x Fuchs Delight. Flores de 10cm muito atractivas.



V. Kultana Fantasy "pink"



Vanda ‘Rothschildiana’ forma rosa (foto não do autor)

Vanda ‘Rothschildiana’ forma azulada (foto não do autor)

Vanda ‘Rothschildiana’ forma azula (foto não do autor)

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7. Heterose é um termo técnico utilizado em genética e melhoramento selectivo, também conhecido por vigor híbrido. Define um maior fortalecimento nas diferentes características do cruzamento, com a possibilidade de obter indivíduos mais fortes, resultante da combinação de virtudes dos seus parentes. Na propagação comum, espera-se que o valor genético seja igual à média dos valores genéticos dos seus ascendentes. Quando o cruzamento ocorre entre indivíduos geneticamente distantes e diferentes, estamos perante um episódio de heterose, ou vigor híbrido, em que a média do valor genético seja superior ao valor genético dos seus parentes.




Dado que a aquisição de exemplares desta espécie é dispendiosa, falarei levemente sobre alguns conselhos de como multiplicar a sua orquídea.
A propagação das Vanda é possível por meio de separação de pequenos brotos laterais. Estes, ao crescer, emitem novas raízes permitindo o seu desenvolvimento autónomo, independente da planta mãe. Conhecidos por keiki, [1] poderão ser retirados do caule principal quando atingirem um tamanho razoável e, sobretudo, com um número de raízes bem desenvolvidas suficiente para garantir a sobrevivência do propágulo. Para que tenha certeza da sobrevivência da nova pequena planta, espere o tempo que for necessário para que o keiki esteja pronto para ser separado. Nessa altura retire-o com a ajuda de uma faca e plante-o num composto especial para orquídeas disponível no mercado que encontrará em qualquer centro de jardinagem. Use um pequeno recipiente com bastantes orifícios para assegurar uma drenagem perfeita. Há quem não aconselhe remover os keikis de modo a não perturbar a planta mãe. Nestes casos, terá uma planta de grande porte e com várias hastes florais em simultâneo, aumentando o seu interesse estético.
Se optar pela multiplicação deve fazê-la no final da Primavera. A fase de transplante de qualquer Vanda, também deverá ser realizada nesta estação, embora não necessitem de ser mudadas senão quando o substrato começar a degradar-se. Recomendo o recurso a um substrato de larga granulagem composto por casca de pinheiro, carvão ou fibra de feto arbóreo. Esta mistura encontrará já preparado e ensacado em casas comerciais.

Exemplo de um keiki replantado em substrato. http://www.orchidsamore.com/tutorials/Dividing%20a%20Vanda.htm (Foto não do autor)


Vários keikis  mantidos na planta mãe de modo a criar um conjunto de porte considerável e floração abundante.
(Foto não do autor)




Sugiro a consulta de um sítio onde encontrará excelentes imagens ilustrativas das fases de identificação, separação e replante dos propágulos. Está escrito em inglês, porém, ainda que não domine este idioma, poderá sempre aprender as fases de multiplicação através das fotos. http://www.orchidsamore.com/tutorials/Dividing%20a%20Vanda.htm

Pesquisas recentes indicaram propriedades vantajosas no tratamento do envelhecimento da pele, muito procuradas pela indústria da cosmética. O suco extraído das suas flores em gotas é aplicado nos olhos para tratar glaucoma, cataratas e a cegueira, pelos diversos povos na Índia.


Quem quiser colaborar com sugestões, imagens ou informações que contribuam para o enriquecimento deste sítio, poderá enviar para exoticascultivadasemportugal@hotmail.com

10 comentários:

  1. A melhor postagem de Vandas que já vi. Parabéns .

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  2. Boa tarde
    Gostei muito do seu blog que informa detalhadamente sobre as orquideas vanda. Comprei há quase dois meses um exemplar, sem flor, logo mais barato, mas infelizmente há um mês sensivelmente que a vejo a perder as folhas inferiores que vão amarelecendo a um ritmo de uma folha por semana e já não sei o que fazer. Mudei-a para um sitio mais quente, com mais luz ultimamente depois de ter estado durante dez dias a mergulhá-la em agua durante dez minutos duas vezes por dia. Já tentei borrifá-la com anti fungos, com adubo quinzenalmente, já não sei o que fazer. Neste momento de um dos lados do botão central só tem duas folhas de um lado e cinco do lado oposto. Se tiver alguma ideia que me falta (sou iniciada nas vandas) diga-me, em nome das lindas plantas que elas são. Tenho orquideas, sapatinho (lindas) na varanda, cateleias, dendrobion e planalopsis. Todas já deram flor na minha mão. Mas com a vanda tive muito azar ou algo que me escapa.
    Obrigada desde já.
    Margarida Seabra
    soares.seabra@gmail.com

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    1. Olá Margarida, espero que não se zangue por responder 4 anos depois, mas na verdade tive um bloqueio no acesso à conta do blogue. Já que não pude ajudar em tempo útil, deixo as minhas desculpas por não ter atendido o seu pedido. E fiquei muito curioso em saber que cultiva tantas espécies de orquídeas na varanda. Essa varanda é aberta ou está envidraçada? No caso de ser aberta, aumenta muito o interesse. Seria possível partilhar fotos das plantas, somente no caso de as cultivar em varanda aberta ao exterior?
      Obrigado pelo elogio.

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  3. Estupendo o seu blog, uma verdadeira enciclopédia no que às Vandas diz respeito. Obrigada por partilhar o seu vasto conhecimento.

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  4. tirei todas minhas dúvidas, foi muito claro, valeu as dicas, amo minha orquídea Vanda.

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  5. Muito esclarecedor este artigo. Adquiri 2 vandas recentemente e tinhas muitas dúvidas em relação aos seus cuidados. Este artigo veio ajudar muito a aumentar os meus conhecimentos sobre esta planta magnífica. Obrigado pela partilha dos seus conhecimentos!
    ��
    Abraço

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